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A sede pela cidade-sede

Guilherme Daolio
Especial para o Esporte Universitário.Net

Se para os estudantes universitários há uma data sagrada, essa data é o feriado quando ocorrem os famosos “Inters”, desde o Corpus Christi até os feriados da Independência e de Nossa Senhora Aparecida. Nos quatro dias de folga dos estudos, de 4 a 8 mil alunos de diferentes faculdades do Estado de São Paulo se encontram para celebrar o esporte, a integração e, principalmente, a diversão que só o mundo universitário proporciona. Em alguma cidade interiorana as disputas esportivas e as festas estarão garantidas com a presença dos Jogos Universitários, sejam eles o JUCA (de Comunicação e Artes), Jurídicos (de Direito), Intermed (de Medicina), Engenharíadas (de Engenharia) ou Economíadas (de Economia e Administração), para citar apenas os mais populares.

Por terem uma  sede diferente a cada ano, o momento do anúncio da cidade é muito aguardado pelos alunos, que querem se adiantar ao máximo e reservar suas vagas em hotéis, alugar casas e se programar para nada dar errado durante os quatro dias.

 

Mas por que a Intermed não pode ser em Cubatão? O que Guaratinguetá tem que Pirapora do Bom Jesus não possui? “Perguntas como essas são comuns nos corredores das faculdades, mas poucos realmente imaginam a dificuldade que é para encontrarmos uma cidade que tenha condições de sediar um JUCA”, explica o ex-presidente da Liga Atlética Acadêmica de Comunicação e Artes (LAACA), Rodrigo Pezzotta, da ECA-USP.
 
Para começo de conversa, um município que deseja receber o evento e ver o comércio local movimentar a estratosférica cifra de um milhão de reais em quatro dias, deve ser estruturado no âmbito esportivo. Dois ginásios, um com capacidade mínima para duas mil pessoas, são essenciais. Um campo de futebol com arquibancadas para pelo menos mil torcedores também é necessário. Ainda são utilizadas duas quadras de tênis, uma piscina de 25 metros, quatro mesas de tênis de mesa e, dependendo da competição, pista de atletismo e tatames. Isso sem falar em pequenos detalhes, como as traves quadradas utilizadas no handebol e as bandeirinhas de natação, indispensáveis para aqueles que se aventuram no nado estilo costas.
 
Com os itens citados a grande maioria das cidades perde terreno. Se aliarmos isso com o fato de a sede precisar necessariamente estar localizada a mais de cem quilômetros da capital paulista, as opções não se estendem muito. “A proximidade de São Paulo é prejudicial para os Jogos, pois os alunos fazem muito ‘bate e volta’ e não compram os pacotes completos oferecidos pelas Atléticas, causando assim prejuízo aos cofres das instituições”, alega Vitor Loureiro, presidente da Atlética de Comunicação da PUCCAMP.
 
Mas se você pensa que as exigências acabaram, está muito enganado. Um ponto primordial é a questão da existência e liberação de colégios municipais e estaduais que servem como alojamento para os estudantes. Em alguns Jogos, algumas faculdades levam aproximadamente 1500 alunos. Para elas é fundamental uma escola que comporte e suporte essa quantidade de pessoas. “No ano passado sofremos com a falta de espaço. Pensamos que Santa Rita do Sapucaí seria a cidade perfeita, mas com as chuvas os alunos sofreram muito para armar suas barracas e encontrar um lugar seco para dormir. Infelizmente é assim, aprendemos com os erros do passado”, lamenta o presidente da Atlética da Cásper Líbero, Tácio Gimenes.
 
Depois de tantas avaliações, poucas cidades continuam no páreo. E é  aí que entra a parte principal: a negociação com as autoridades do município. Durante todo o ano, as Atléticas promovem reuniões representantes de cada faculdade participante. E os contatos que estes alunos têm em diversas cidades é que definem os futuros das negociações e sondagens primeiras. Um contato – mesmo que distante – com um prefeito, secretário de esportes, vereador ou qualquer outra pessoa com influência na área de esportes e lazer das cidades interessam ao grupo. A partir destes contatos tudo fica mais fácil, desde a liberação dos alojamentos até o compromisso de ajuda de órgãos municipais como a polícia, bombeiros e hospitais.
 
A ideia de uma cidade perfeita sempre é levantada por alunos satisfeitos com os anos anteriores, mas eles se esquecem das outras instituições, que por muitas vezes não agradaram a todos com seus alojamentos. Muitas escolas são distantes dos locais de competição e obrigam as Atléticas a utilizarem ônibus para os transporte de atletas e torcedores, dificultando a logística e dando dor de cabeça aos organizadores.
 
Com toda a certeza existem cidades mais propícias e mais capacitadas para receber um Inter, mas quem já foi em mais de uma edição garante que o que realmente importa é um outro aspecto. “Neste ano irei para o meu sétimo JUCA! Já peguei chuva, sol, alojamento ruim, ginásio longe e tudo o que você possa imaginar. Pra mim o que realmente importa é que a cerveja esteja bem gelada e o exército vermelho em polvorosa!” diz animado Tiago Palha, conhecido como Privada, que se formou na Cásper Líbero em 2007 e não pensa em abandonar o mundo universitário tão cedo.
 
No próximo feriado, Engenharíadas, Intermed e Jogos Jurídicos movimentarão os milhares de universitários. As Atléticas já estão fechando suas vendas e os alunos já entram no clima. Então se você está buscando diversão, muita festa e disputas acirradas dentro das quadras e piscinas, prepare-se. Independente da cidade escolhida, faltam apenas dois dias! 



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